Brasil é dono do título de melhor café do planeta

O café é a segunda bebida mais consumida pelos brasileiros, ficando atrás apenas da água, e 97% das pessoas no país consumem a bebida em algum momento de seus dias – mea culpa. Não é à toa que o título de melhor café do planeta veio justamente para cá. Sebastião Afonso Silva, dono de uma fazenda cafeeira no município de Cristina, sul de Minas Gerais, venceu o último Cup of Excellence, concurso internacional de qualidade de cafés. 

Na fazenda de Sebastião, o trabalho é artesanal, com colheita à mão. O clima da região, favorável ao cultivo do grão, também ajuda. A colheita é tardia, com os grãos maduros permanecendo mais tempo nos galhos, o que garante melhor aproveitamento do processo. No concurso, o trabalho resultou na maior nota mundial já obtida: 95,18 em uma escala de 100. Entre as principais características elogiadas, estão a acidez, a doçura e o corpo. Tais qualidades foram adquiridas graças a fatores técnicos, tais como adubação correta, análise de solo e altitude da propriedade rural – sua fazenda fica no topo das montanhas da região da Serra da Mantiqueira, a mais de 1,3 mil metros de altitude. 

Sebastião trabalha com a cultura de café desde 1995 e há 11 anos começou a investir no segmento de cafés especiais. De lá pra cá, já faturou 24 prêmios de qualidade – de toda sua produção, 80% é destinada a esse mercado mais especializado. E apesar de ainda trabalhar, de certa forma, artesanalmente, o agricultor investe pesado na infraestrutura da sua fazenda. Ali existe, por exemplo, um laboratório usado para análise de grãos e propriedades do solo. 

Tanto cuidado com o processo e o prestígio nos resultados fizeram o preço do produto subir, é claro. Hoje, os principais compradores do café de Sebastião são os Estados Unidos – a Starbucks, por exemplo, maior rede de cafeterias norte-americana, comprou uma saca de 60 quilos do grão por cerca de R$9,8 mil. 

A qualidade dos cafés especiais produzidos na Mantiqueira de Minas Gerais começou a ser valorizada a partir dos anos 2000, quando um projeto de incentivo da produção especial foi implementado na região. 

Vale ressaltar que o que faz um café ser especial não é só o processo utilizado na plantação dos grãos ou a exclusividade do produto. De acordo com a Metodologia de Avaliação Sensorial da SCA (Specialty Coffee Association), usada no mundo todo, “Café Especial” é todo aquele que atinge, no mínimo, 80 pontos na escala de pontuação da metodologia, em uma escala que vai até 100. Na avaliação, são analisados os atributos: fragrância/aroma, uniformidade, ausência de defeitos, doçura, sabor, acidez, corpo, finalização, harmonia e conceito final, isto é, a impressão geral sobre o café atribuída pelo classificador. 

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Gustavo Giglio
Sócio do UoD, diretor de marketing/novos negócios/projetos especiais.
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