Felicidade: motor de qualquer inovação

Somos contumazes consumidores de narrativas. Sem isso, talvez não seríamos tão humanos como pretendemos ser.
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Dinheiro não traz felicidade, mas a mudança certa, talvez sim.

Abraçamos desafios ou porque estamos incomodados ou entediados. A alegria vem do fato de ter iniciado a jornada.

É claro que, logo no primeiro passo, as dores e os gritos internos de desânimo começam a fazer coro.

No entanto, mesmo se estiver triste e abatido, é possível antecipar uma versão ideal do sabor de uma felicidade que esperamos sentir quando o projeto for concluído.

Se o gosto for bom, seguimos em frente.

Talvez essa seja a única felicidade possível.

Afinal, quando alcançamos o objeto de desejo é hora de querer outra coisa ou uma versão nova daquilo que já possuímos, já que agora não é mais um desafio.

Entregue a campanha, fica um vazio. Subida a montanha, sobra apenas a lembrança do percurso. A alegria da viagem está no trajeto, pois é nele que a história acontece.

Somos contumazes consumidores de narrativas. Sem isso, talvez não seríamos tão humanos como pretendemos ser. Somos demaziados contadores de histórias.

E é nesse ponto que a inovação sempre começa.

O gosto por histórias nos fez sair das cavernas e construir cidades inteiras. Criamos redes de fibras óticas e servidores para transmitir e armazenar tudo aquilo que nos define como espécie, ou seja, todos os dramas, ideias, vitórias, fracassos, lágrias e sonhos.

Amamos tanto nossas experiências pessoais que as consideramos dignas de serem eternizadas em qualquer meio, desde que nunca desapareçam.

Mesmo sabendo que nossos frágeis corpos sejam finitos, trabalhamos incansavelmente para dar o poder da eternidade às nossas histórias.

Cada um escreve a sua própria saga da forma que acha melhor.

Cada um tempera a sua própria odisseia do jeito que mais lhe agrada.

Todos nós queremos alguns gigabytes onde enterrar nossos tesouros existenciais. Contra a finitude humana temos apenas uma senha, um login e a nossa imaginação.

O mundo vem inovando todos os dias, de muitas formas.

Desde as pedras que usamos para definir nossos duros dias, até os dias de hoje, quando tudo é tão leve e suave, criamos variados mecanismos para contar histórias, o tempo todo.

Olhe ao seu redor.

Tudo que temos são dispositivos que usamos para ver e sermos vistos pelo resto do mundo.

Somos repórteres, 24 horas por dia. Quase nada passa ou acontece sem que seja registrado por uma câmera.

Criamos um mundo em que todas as nossas invenções combinadas servem apenas para registrar o que fazemos e para tentar vencer o tempo, que nunca para.

Sentimos alegria por existir, mas lamentamos ter a certeza de que não há tempo suficiente para viver uma vida épica. Por isso, talvez, sejamos tão dedicados à arte de inventar novas formas de contar histórias.

A inovação sempre será nosso motor existencial, e a imaginação o combustível que faz esse magnífico mecanismo disparar na direção das estrelas.

A felicidade será nosso eterno “ticket to ride”.

Como ela não dura muito tempo, escolhemos contar histórias sobre como poderia ter sido.

Assim temos uma brecha a preencher e uma nova vida para viver, mesmo que inventada. Mesmo que nossos corpos não a alcancem, a imaginação sempre fará o resto por nós.

William Barter

Consultor de criatividade em cultura colaborativa educacional e empresarial.

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