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Bozoma Saint John: sobre mudar o mundo

Saí de uma sala e dei de cara com Bozoma Saint John dentro de um macacão de paetês prateados, vestindo o seu enorme e característico sorriso. Fiquei sem reação. Peço uma foto? Falo alguma coisa? Cheguei tarde demais: ela vai em direção aos bastidores e eu saio correndo para pegar um lugar para a entrevista com ela.
Sou uma admiradora dessa mulher há um tempo. Não pela posição atual de Chief Brand Officer do Uber (embora não seja tarefa banal reverter a reputação de uma empresa internacionalmente famosa, sob o olhar de todo mundo), ou pelas anteriores em empresas como Pepsi, Apple, Beats, colocando a Beyoncé no intervalo do SuperBowl. Nem por ter trabalhado com Spike Lee quando ele já era, bem, o Spike Lee, e sem querer ter corrigido um roteiro dele em caneta vermelha.

Sou fã dela porque, estando inserida no mundo corporativo e sendo porta-voz de marcas gigantes, ela consegue trazer a atenção para as coisas certas, sendo informal e extremamente humana – tudo isso em um macacão prateado em plena luz do dia.

Boz (para os íntimos) falou muito sobre a humanização – das pessoas e das marcas. Ela abriu falando que não é uma profissional de tecnologia, e que contar histórias é seu trabalho. Ela acredita fortemente que marcas são como pessoas: elas têm personalidade, erram e acertam, e precisam entender como estar em contato com os tempos e as conversas atuais. Que não dá para se esconder dos assuntos difíceis, então melhor falhar cedo e corrigir rápido, e aprender desses erros. Melhor ainda: encorajar essas conversas, puxar pra si.

Quando a inevitável pergunta surgiu – por que salvar a reputação de uma marca como Uber? -, veio também a confirmação: se existem conversas importantes acontecendo, ela quer ser parte delas. É um dever. Ela precisa sentar na mesa onde são tomadas as decisões, com todos os seus paetês, e influenciar esses resultados.

Ou seja: se a gente quer mudar o status quo, precisa ocupar os lugares de tomada de decisão. E trazer pessoas de contextos diversos para essas conversas, para que não só uma perspectiva seja ouvida.

Ela leva isso a sério, e desde seu terceiro mês na empresa, é motorista de Uber pool. Diz que é importante fazer perguntas e ouvir, mas que nada substitui a experiência em primeira mão quando o assunto é entender as dores e delícias de ser o outro.

Para as pessoas, deu um recado: apareça inteiro. Traga todos os aspectos da sua personalidade para o trabalho. Sua bagagem. Consiga aliados para passar sua mensagem.

Para as marcas “dinossauro”, Boz recomendou estarem abertas às conversas que estão acontecendo no mundo e descerem do pedestal, porque é difícil ouvir quando a gente se coloca nesse lugar. E completou: “contrate pessoas diferentes das de sempre, porque existem muitos pontos de vista. E se você não estiver fazendo isso a essa altura, é irresponsável – além de prejudicial para o seu negócio”.

Era pra ser uma entrevista sobre cultura organizacional, mas acho que tudo o que ela falou era sobre ser uma pessoa melhor. Ser mais inclusivo, ouvir melhor, ser honesto e corrigir erros rápido. Anotei tudo. Acho que posso melhorar umas coisas aqui também.

 


Este post faz arte da cobertura oficial do SXSW 2018 pelo Update or Die, diretamente de Austin, no Texas. Não deixe de conferir os outros posts com o melhor do festival na nossa página exclusiva do festival clicando aqui.

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Escrito por Talita Di Iorio

Talita é curadora e fundadora do Minas De Ouro, uma plataforma que promove conexão e conhecimento para mulheres criativas. Formada em publicidade pela ESPM/SP e em produção de eventos de arte pelo Node Center/Berlin. Trabalhou no Twitter, Facebook e Google (SP/ Buenos Aires / Mountain View) e hoje se dedica à curadoria e produção de conteúdo digital.

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