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As mulheres passaram muito tempo caladas. Ninguém imaginava que chegaríamos ao ano em que os escândalos relacionados à assédio sexual viriam à luz e que os assediadores começariam a pagar as consequências.

Começou com uma faísca e se transformou em um incêndio.

Um artigo no The New York Times reuniu várias declarações de vítimas de assédio e abuso pelo produtor Harvey Weinstein. Até à data, a lista de mulheres chega a mais de 70 e o escândalo incentivou outras pessoas a contar suas experiências com outras personalidades do cinema, como Kevin Spacey, James Toback, Louis C.K. e Brett Ratner.

Com isso, a Revista Time, que faz uma edição especial desde 1927, colocou na capa principal cinco mulheres que simbolizam a campanha #MeToo: a atriz Ashley Judd, primeira a denunciar Weinstein, a cantora Taylor Swift, a lavradora Isabel Pascual (pseudônimo), a lobista Adama Iwu e a ex-engenheira do Uber Susan Fowler. Elas são chamadas de “Silence Breakers”, “as vozes que lançaram um movimento”.

“Esta é a mudança social mais rápida que vimos em décadas e começou com atos individuais de coragem por centenas de mulheres – e também alguns homens – que se apresentaram para contar suas próprias histórias”, disse o editor-chefe da revista, Edward Felsenthal, ao “Today show”.

Claro que esta campanha – e muitas outras que andam ocorrendo no Brasil e no mundo -, é apenas o ínício de uma mudança que ainda não sabemos como irá desenvolver. As denúncias continuam aparecendo e o silêncio foi quebrado, mas a consequência desses atos ainda é uma incógnita.

Até agora, Kevin Spacey foi demitido da Netflix e tirado do filme “All the Money in the Worl”, Harvey Weinstein está sendo investigado pela justiça americana e britânica. Apesar disso, nenhum deles ainda se sentou em frente ao júri.

O que, no entanto, pode indicar que algo novo está surgindo é a Revista Time denominar as “Silence Breakers” como a Personalidade do Ano 2017:

“Para dar voz aos segredos abertos, para mover as redes sussurradas até às redes sociais, para movimentar a todos nós a deixar de aceitar o inaceitável”.